Brasil e Argentina vão retomar negociações
País vizinho acena com fim das restrições à carne suína, mas quer mercado para seus produtos
Eliane Oliveira
Após uma reunião de quatro horas, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o chanceler argentino, Héctor Timerman, anunciaram ontem uma trégua e a retomada das negociações bilaterais. Foi firmado um compromisso para que as pendências comerciais sejam resolvidas em até 120 dias. Mas tudo indica que a Argentina continuará dificultando o intercâmbio se o Brasil não abrir seu mercado para frutas cítricas, camarões e medicamentos.
Na entrevista coletiva, Timerman informou que, nos próximos dias, serão eliminadas as quotas para as compras de carne suína brasileira. Quando perguntaram ao chanceler se essas restrições iriam realmente desaparecer, o ministro do Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno - visto como mentor do protecionismo argentino -, tomou o microfone e respondeu:
- As duas delegações decidiram que o importante é incrementar o comércio argentino. À medida que isso se manifestar na redução do déficit da Argentina com o Brasil (US$ 426 milhões este ano) e nos permitir exportar ao Brasil mais medicamentos, uvas-passas, têxteis e cítricos, o problema da carne suína desaparece.
Embora os ministros não tenham mencionado as barreiras às exportações, o tema foi tratado nos bastidores. Mas o Brasil não acenou com a liberação de itens perecíveis do país vizinho. Timerman defendeu a ampliação da lista de produtos cujas tarifas de importação subirão em até 35%, para que o Mercosul se defenda da invasão de importados de terceiros mercados, como a China. Discute-se uma relação de cem itens para cada país. A decisão ocorrerá no fim de junho.
Publicado no jornal O Globo em 16 de maio de 2012.
ThyssenKrupp decide colocar à venda a CSA, empresa em que a Vale é sócia
A ThyssenKrupp admitiu ontem que estuda vender a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), empreendimento no qual tem como sócia a Vale, a um mês de a usina completar dois anos de operação. O anúncio foi feito após meses de especulação no mercado sobre um possível plano da empresa alemã para se desfazer da planta instalada em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, que sugou € 5,2 bilhões em investimentos e foi inaugurada em 2010 depois de sucessivos adiamentos.
Em um comunicado divulgado na Alemanha, a empresa diz que vai examinar opções estratégicas "em todas as direções" para a unidade Steel Americas, que, além da CSA, inclui uma planta de laminação em Mobile, no Estado norte-americano do Alabama. No ano fiscal 2010-2011, todas as frentes de atuação da Thyssen tiveram resultado operacional positivo, exceto a Steel Americas. Outra possibilidade em análise é a busca de um sócio para o negócio.
A companhia justifica que, desde a concepção do projeto, os custos de produção aumentaram "de forma desproporcional" no País. Contribuíram para a formação desse cenário, de acordo com a empresa, o aumento de custos trabalhistas, efeitos da inflação e, em particular, a apreciação do real.
O plano da CSA era produzir placas de aço de forma competitiva no Rio e mandá-las para laminação no Alabama. De lá, abasteceria clientes da indústria norte-americana.
Com a economia dos Estados Unidos andado de lado desde a crise de 2008, porém, o mercado por lá tem se mostrado desfavorável à Thyssen. Agora, a empresa reconhece o fracasso da estratégia e revela que só está conseguindo vender aço a um preço "diferenciado" para o setor automotivo.
Para o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, a situação da ThyssenKrupp é reflexo de um repique da elevação do excedente de aço no mundo. "Após a crise de 2008, esperava-se o retorno à normalidade a partir de 2012, mas Europa e EUA, dois grandes mercados consumidores, estão adiando o retorno às condições normais de temperatura e pressão", avalia. Citando dados da Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês), Lopes afirma que o volume excedente, que estava em 420 milhões de toneladas, passou a 530 milhões de toneladas.
Diante dessa conjuntura, encontrar um comprador ou sócio para a operação deve se mostrar uma tarefa complicada para os alemães, avaliam especialistas. "Vai ser difícil vender nesse cenário. Eles podem achar um sócio, mas não vão achar comprador", afirma o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.
Ele não vê interesse de grupos brasileiros, como Gerdau, CSN e Usiminas, e acredita que faria mais sentido encontrar uma siderúrgica no exterior que tenha interesse em garantir o abastecimento de placas de aço para laminação.
Alternativas. Na Alemanha, o presidente da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, disse que vai oferecer a planta à Vale e que conversará com possíveis compradores na Ásia. Ele avaliou o valor das duas usinas (no Rio e no Alabama) em € 7 bilhões, montante bem inferior aos cerca de € 12 bilhões investidos nas plantas.
O executivo afirmou ainda que as plantas devem ser negociadas separadamente, pois não acredita que haja um interessado na operação conjunta das unidades.
Um novo aumento de participação da Vale, no entanto, é visto como pouco provável. No desenrolar da crise de 2008, a mineradora se viu obrigada a elevar sua fatia no empreendimento para 26,87% sob risco de não vê-lo sair do papel, num momento em que o governo Lula a pressionava para não abandonar investimentos em siderurgia.
A ThyssenKrupp detém os demais 73,13%. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 16 de maio de 2012.
Brasil restringe entrada de produtos argentinos
Para pressionar o governo argentino a reduzir barreiras, alfândega passou a exigir licença para vinho, farinha de trigo, maçã e batata, entre outros
Raquel Landim
O Brasil está dificultando a entrada de alguns tipos de alimentos e bebidas vindos da Argentina. É uma tentativa de pressionar o governo do país vizinho e sócio do Mercosul a reduzir as barreiras sofridas pelos produtos brasileiros no mercado argentino. Na terça-feira da semana pas- sada, a aduana brasileira passou a exigir licença de importação para pelo menos dez novos produtos, como vinho, farinha de trigo, maçã, batata e uva-passa. Esse tipo de medida é conhecida como licenciamento não automático de importação. A medida vale para mercadorias vindas de qualquer lugar do mundo, mas os produtos foram escolhidos a dedo para incomodar os produtores argentinos. Procurado pelo Estado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não comentou o assunto.
As barreiras argentinas estão provocando prejuízo expressivo para os exportadores brasileiros. Em abril, as vendas do Brasil para a Argentina caíram 27% em relação ao mesmo mês de 2011. O resultado aborreceu o governo brasileiro, porque ajudou a piorar o desempenho das exportações, que já sofrem com a queda do preço das commodities, a crise na Europa e a desaceleração na China. Além das licenças não automáticas, que vêm sendo largamente utilizadas, a Argentina passou a exigir no início de fevereiro que as empresas entreguem uma “declaração juramentada antecipada de importação”. Depois de entregar o documento, os importadores devem aguardar uma autorização para trazer o produto. A medida provocou desabastecimento de alguns produtos, como eletrodomésticos, nas cidades argentinas. A maior preocupação do governo da presidente Cristina Kirchner, no entanto, é com a saída de dólares do país e o rombo na conta-corrente.
Reação. Não é a primeira vez que o Brasil tenta reagir às barreiras argentinas burocratizando a entrada de produtos. Em maio de 2011, o País colocou os carros em licenciamento não automático e chegou a barrar veículos argentinos na fronteira entre os dois países. Como os carros representam a maior parte do comércio entre Brasil e Argentina, a medida quase provocou uma crise diplomática e foi resolvida após a interferência das chancelarias dos dois países. Desde então, o Brasil tem evitado um confronto direto com a Argentina. Os veículos continuam em licenciamento não automático, mas o Brasil respeita o prazo de 60 dias estabelecido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) e os empresários dos dois lados da fronteira já se acostumaram com os novos prazos.
Em outubro do ano passado, foi a vez de chocolates, balas e confeitos entrarem em licenciamento não automático na aduana brasileira. A medida prejudicou grandes fabricantes argentinos, mas não chegou a mobilizar o governo Kirchner. O governo brasileiro também não comentou oficialmente a barreira Agora os produtos afetados mais importantes são o vinho e a farinha de trigo. Segundo Ciro Lilla, vice-presidente de vinhos da Associação Brasileira de Bebidas, que representa os importadores, os vinhos têm entrado e saído de licenciamento não automático desde o ano passado. “Ninguém sabe qual é o critério para colocar ou tirar o vinho do licenciamento. Estamos escaldados e os importadores fazem algum estoque para momentos como esse”, disse Lilla. Em 2011, a Argentina exportou US$ 63,4 milhões em vinhos ao Brasil, 18% mais que em 2010 e o equivalente a 1,94 milhão de caixas. No caso da farinha de trigo, a maior parte dos embarques é feita no primeiro trimestre, após a colheita do produto na Argentina. /
COLABOROU ARIEL PALACIOS
Publicado no Jornal O Estado de S.Paulo em 15 de maio de 2012.
Exportadores gaúchos veem impulso às vendas
– A exportação de ônibus está com tendência de melhora. Isso deve ocorrer principalmente a partir do final do mês – afirma Martins.
Opinião semelhante tem o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Ivo Cansan.
– Com o dólar a R$ 2, a indústria recalcula seus preços e vai ao mercado. A resposta não é imediata, mas virá – garante Cansan.
Apesar de entender ser necessário esperar para ver em que patamar o dólar se estabilizará, o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul, Claudio Bier, também espera reação das exportações e freio nas importações.
– Só a John Deere importou ano passado quase US$ 1 bilhão em pulverizadores. Com o dólar a R$ 2, fica mais difícil – explica Bier, torcendo que o espaço do produto estrangeiro seja ocupado pelo nacional.
Entre exportadores, os menos animados são calçadistas. Para Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, será preciso esperar o início da temporada de feiras internacionais e ver em que cotação o câmbio se acomodará. Se a alta for temporária, terá pouco efeito.
Publicado no jornal Zero Hora em 15 de maio de 2012.
China tem desaceleração acentuada
Se a avaliação de Li estiver correta, a economia chinesa está com muito mais problemas do que os dados oficiais do PIB indicam. Resultados desses três indicadores mostram uma queda vertical do nível de atividade. A oferta de energia, por exemplo, cresceu 0,7% no mês passado em relação ao mesmo período de 2011 - em março, o aumento foi de 7,2%.
Dados sugerem pouso mais brusco do que o esperado para a China
Por Jamil Anderlini | Financial Times
Num momento de descuido em 2007, o homem ungido para assumir no ano seguinte como o timoneiro da segunda maior economia mundial expôs suas dúvidas sobre as estatísticas relativas ao crescimento da economia da China.
Os dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) do país são "produzidos pelo homem" e, portanto, pouco confiáveis, disse Li Keqiang ao embaixador dos Estados Unidos na época. Acrescentou, sorrindo, que os encarava como sendo "apenas para fins de referência".
Ao avaliar o crescimento da economia, Li, que deverá formalmente substituir Wen Jiabao como o premiê chinês em março, disse que ele se concentra, em vez disso, em três conjuntos de dados - o consumo de energia elétrica, os volumes de carga ferroviária e a concessão de empréstimos bancários. Se sua avaliação estiver correta, a economia chinesa está com muito mais problemas do que os dados oficiais do PIB indicaram até agora.
Dados econômicos não observados tão atentamente e divulgados nos últimos dias, como os números do consumo de energia elétrica, o volume da carga ferroviária e os empréstimos bancários, mostraram uma queda vertical do nível de atividade da economia, que parece ter pegado as autoridades de surpresa.
Os números do PIB da China são divulgados apenas a cada três meses e, no primeiro trimestre deste ano, pareciam mostrar uma continuidade da queda gradual que já ocorria nos 12 meses anteriores.
A expansão de 8,1% computada nos três primeiros meses, em relação ao mesmo período do ano passado, representou uma nítida desaceleração em relação ao crescimento de 8,9% contabilizado no quarto trimestre do ano passado, mas dificilmente pode ser considerada um "pouso forçado" para os altos voos da economia chinesa.
Depois desse indicador relativamente sólido, a maioria dos analistas e autoridades do governo declarou que o crescimento alcançou seu patamar mais baixo no primeiro trimestre e que a recuperação começaria em abril.
"Analistas "sell-side" e autoridades chinesas quiseram crer na história de que aquela foi apenas um pequeno mergulho e de que a economia voltaria a disparar", diz Patrick Chovanec, professor de administração de empresas da Universidade Tsinghua, de Pequim. "Mas essas projeções representaram, acima de tudo, a vitória da esperança sobre a razão."
O consumo de energia elétrica de abril ainda não foi divulgado, mas a produção aumentou apenas 0,7% em relação ao mesmo mês de 2011, bem abaixo do crescimento ano a ano de 7,2% computado em março e do de 11,7% registrado em abril de 2011.
O aumento dos volumes de carga ferroviária nos primeiros meses do ano correspondeu a cerca de metade do ritmo de expansão observado na mesma época do ano passado, e os bancos concederam muito menos novos empréstimos do que o previsto.
"A China viveu, nos últimos três anos, um boom de investimentos que todo mundo reconhecia como sendo insustentável, e agora estamos vendo o que é a insustentabilidade", diz Chovanec. "A dissolução desse boom de investimentos está acontecendo sem nada que o substitua, e isso significa que a China deverá ter um crescimento do PIB muito menor que o que nos acostumamos a ver."
Boa parte da desaceleração proveio do mercado imobiliário, área em que os esforços do governo para coibir uma bolha alimentada pelo crédito estão começando a parecer um pouco exagerados.
Os investimentos em imóveis, que respondem diretamente por cerca de 13% do PIB, caíram verticalmente nos últimos tempos, com o recuo de 4,2% na construção de imóveis residenciais observado nesse período de três meses, em relação ao mesmo período do ano passado. Esse percentual deve ser comparado com o crescimento de 5,1% contabilizado nos dois primeiros meses.
Mas essa desaceleração transcende a mera desaceleração do mercado imobiliário. As exportações e importações chinesas de abril revelaram-se bem mais fracas que o previsto. As importações cresceram apenas 0,3% na comparação ano a ano, bem abaixo da média das previsões dos analistas, de uma expansão de cerca de 11%.
As importações das principais commodities desaceleraram significativamente, enquanto as compras externas de maquinário caíram, indicando um "desaquecimento alarmante do investimento industrial", segundo o economista Stephen Green, do banco Standard Chartered.
"Na ausência de um novo afrouxamento da política econômica, prevemos que o crescimento continuará a desacelerar no restante do segundo trimestre", diz ele.
Muitos analistas acham que a China esperou demais para estimular a economia em desaceleração. O expurgo do mês passado do dirigente chinês Bo Xilai e a resultante turbulência política foram um dos motivos pelos quais Pequim não agiu antes, mas alguns economistas dizem que suas alternativas para impulsionar o crescimento estão mais limitadas.
Em resposta aos recentes dados decepcionantes, o Banco Central chinês reduziu no sábado o depósito compulsório dos bancos, a fim de estimular o fluxo do crédito.
Mas a enorme enxurrada de crédito fácil e de investimentos apoiados pelo governo, desencadeada após a crise financeira, deixou Pequim com pouco poder de fogo desta vez, em meio ao temor de ressurgimento da inflação e da alta da inadimplência de empréstimos junto aos bancos estatais.
Enquanto se prepara para assumir no ano que vem, Li deve estar fazendo votos de que suas suposições estejam erradas e de que os dados do PIB sejam o indicador mais preciso. Caso contrário, ele poderá se defrontar com uma situação em deterioração, e terá um poder relativamente pequeno para solucioná-la.
Publicado no jornal Valor Econômico em 15 de maio de 2012.
Pesquisas indicam evolução mais contida do bem importado
Por Arícia Martins e Rodrigo Pedroso | De São Paulo
A participação dos importados no consumo interno de bens industriais ficou ligeiramente menor no primeiro trimestre deste ano em relação aos últimos três meses do ano passado, após quatro trimestres seguidos de crescimento nessa base de comparação. Na média de janeiro a março, as importações atenderam 22,5% da demanda por produtos industrializados, segundo cálculos da LCA Consultores, abaixo dos 22,8% registrados no fim de 2011.
Divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), outro indicador do consumo de importados vai na mesma direção, mas mostra uma queda mais acentuada. Na mesma comparação, a parcela de produtos estrangeiros no mercado local passou de 24% para 22,6% do total.
Na comparação com igual período do ano passado, porém, os produtos nacionais continuaram perdendo mercado para os importados. Na série calculada pela LCA, o coeficiente de importação era de 20,5% no primeiro trimestre de 2011, enquanto a Fiesp calculou esse percentual em 21,6%.
A pequena redução dessa fatia frente o último trimestre de 2011, avaliam economistas, é explicada mais pelo movimento de perda de fôlego da demanda do que por retomada da indústria nacional, cuja produção amargou queda de 0,5% no período, feitos os ajustes sazonais. A escalada do dólar, que começou em março, também pode ter diminuído o apetite por importações e aumentado a fatia da produção destinada à exportação, de acordo com dados da Fiesp - a parcela de produção vendida ao mercado externo subiu de 17,5% para 19% entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2012. Em relação ao último trimestre do ano passado, essa fatia recuou 0,9 ponto percentual.
A conjugação de endividamento maior das famílias com um importado mais caro em função do câmbio explica o recuo da importação, diz o presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) José Augusto de Castro. "Esse quadro começa a assustar o consumidor e o importador, que estão mais cautelosos", afirma. Também com perspectiva de desaquecimento do consumo, a indústria está reduzindo a compra de insumos importados. "O grosso das importações é feito pela indústria nacional", diz Castro.
É consenso que a parcela de importados no mercado doméstico deve continuar crescendo este ano - ainda que em ritmo menor do que no ano passado - em linha com a demanda externa ainda reprimida, que estimula a "desova" do excesso de produtos em mercados ainda pujantes, como o brasileiro. Em 2011, quando a produção interna cresceu apenas 0,3%, a fatia de produtos importados no consumo avançou quase dois pontos percentuais, segundo a LCA.
"O que determinou o desempenho decepcionante da indústria também afetou o coeficiente de importados", diz o economista Thovan Tucakov, da LCA, referindo-se à acomodação da demanda na esteira do elevado comprometimento de renda das famílias e do consequente aumento da inadimplência. A depreciação do câmbio, diz ele, é muito recente para ter dinamizado as exportações já neste início de ano e deve dar alento maior à produção no futuro.
Em seu cenário, Tucakov projeta que o dólar encerre o ano cotado a R$ 1,80, já que o atual patamar do câmbio, em sua opinião, resulta do mau humor dos mercados com a atividade global, principalmente da China, e não uma nova taxa de equilíbrio vista como "ideal" pela indústria. O real mais depreciado, junto à redução dos juros, deve permitir um aumento parco da produção este ano, sustenta o economista, mas insuficiente para que a produção doméstica ganhe espaço das importações no mercado interno. "A tendência é de um crescimento mais fraco da penetração dos importados", resume.
Na pesquisa da Fiesp, que levou em conta dados do Ministério do Desenvolvimento (Mdic) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20 dos 33 setores analisados apresentaram queda das importações em relação ao quarto trimestre do ano passado. A indústria extrativa, por exemplo, registrou retração de 10,6 pontos percentuais das compras externas.
As baixas mais significativas no período aconteceram em aeronaves (17,5 pontos percentuais), material eletrônico e aparelhos de comunicação (7,5 p.p.) e preparação de couros e artefatos de couro (6,6 p.p.). Assim, a penetração desses importados no consumo total ficou, respectivamente, em 42,5%, 48,5% e 21,1%.
Já nos dados da LCA, a redução na participação de importados dentro do mercado interno atingiu 13 dos 22 setores pesquisados na passagem do quarto trimestre de 2011 para o início do ano, mas ainda continua elevada em setores intensivos em mão de obra que sofrem concorrência externa mais acirrada, tais como material eletrônico (54,6%), máquinas e equipamentos (37,4%) e têxtil (21,8%). "Todos os recuos foram bem pequenos. Como é um movimento inicial, o mais importante é a redução generalizada", diz Tucakov.
Para o economista Mansueto Almeida, a tendência é que a participação de bens estrangeiros no consumo interno continue em trajetória de alta para atender a demanda, em detrimento da fraqueza da indústria, que não é competitiva em relação a outros países na maioria dos setores. "Não temos vantagem comparativa. Temos um salário mínimo que não nos permite mais ser um grande competidor com indústrias de trabalho intensivo. O cenário para a indústria não é muito tranquilo", diz.
Publicado no jornal Valor Econômico em 15 de maio de 2012.
Pacto para eliminar subsídio à exportação na agenda do G-20
Um compromisso para a eliminação de subsídios às exportações em 2013 está na agenda do G-20, o grupo de países que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, e amplia a pressão sobre os Estados Unidos, país que mais utiliza esse tipo de ajuda.
Como a tentativa de acabar com estas subvenções não prosperou na Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa do colapso da Rodada Doha, alguns países, incluindo o Brasil, estimam que o G-20 pode assumir tal compromisso. O tema está na agenda do subgrupo de trabalho sobre volatilidade de preços das commodities, co-presidido por Brasil e Reino Unido.
O argumento favorável é que a melhora da produção é uma das formas de combater a volatilidade. Sem a concorrência de produtos "turbinados" com bilhões de dólares de subvenções, muitos mercados poderiam retomar a produção interna. Mas a proposta do G-20 tem forte oposição de alguns países desenvolvidos, em especial dos EUA. A própria União Europeia suspendeu parte deste auxílio.
A discussão enfocará, no mínimo, uma prática em expansão pelo governo dos EUA, cujo orçamento prevê a liberação de até US$ 5,5 bilhões para subsidiar exportações agrícolas. Em 2010, Washington concedeu US$ 2,8 bilhões; em 2011, o valor aumentou para US$ 4,1 bilhões; e neste ano, somente no primeiro trimestre, o auxílio já alcançou US$ 2,18 bilhões.
Se Washington aceitar a eliminação desses subsídios, um impacto imediato seria o fim do contencioso na área do algodão entre Brasil e EUA. A OMC condenou a prática americana, mas as subvenções às exportações do produto permanecem. O embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, nota que o subsídio afeta diretamente o preço final da venda e retira a participação de outros países do mercado. Não é à toa que uma das prioridades de vários produtores agrícolas continua a ser o fim dessa ajuda.
Diante da ofensiva de países desenvolvidos por um acordo de facilitação de comércio na OMC, várias nações emergentes cobram a eliminação desses subsídios e uma nova forma de administração de cotas agrícolas. Um dos problemas é que os americanos aceitam discutir concessões se receberem contrapartidas no mesmo setor por causa dos lobbies específicos que a Casa Branca tem que enfrentar.
Outra ideia do G-20 é para que países altamente dependentes de certas commodities criem "fundos de estabilidade". Eles passariam a poupar mais no fundo quando os preços sobem a fim de evitar apertos na economia com a queda nas cotações das matérias-primas. "Estamos estudando as consequências da volatilidade de preços e exemplos bem sucedidos adotados para lidar com essa situação", afirmou o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, embaixador Carlos Márcio Cozendey, que representa o Brasil nas discussões.
Na área financeira, o subgrupo deve basicamente incorporar medidas que estão sendo examinadas pela Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (Iosco, na sigla em inglês), por melhor transparência. Mas ela não resolve diretamente o problema da especulação nos mercados. A Iosco sugere regras de maior vigilância sobre negócios de derivativos de commodities, limite nas grandes posições em derivativos agrícolas, combate à manipulação e melhoria na transparência de preços.
Publicado no jornal Valor Econômico em 15 de maio de 2012.
Inovação é principal desafio do país, diz Laplane
Há um entendimento muito claro de que é preciso duas coisas para implementar uma nova reorganização produtiva: sofisticar os métodos de produção e gestão, e concentrar as cadeias produtivas próximas ao mercado consumidor, diz Laplane ao Valor . É isso o que as empresas que estão vindo ao Brasil estão pensando, que uma elite industrial nacional está começando a compreender e que o governo precisa coordenar, diz.
A principal missão de Laplane é agilizar os ganhos de gestão na máquina pública federal, junto ao governo, e das companhias privadas, com foco especial na indústria. O Brasil não pode falhar. Este é o mote do ministro e a missão da presidente, afirma Laplane, em referência ao ministro Marco Antônio Raupp, de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ao qual o CGEE é vinculado, e à presidente Dilma Rousseff.
A inovação nos setores produtivos e na economia brasileira é o principal desafio da presidente, afirma o economista. Não à toa, diz ele, os principais programas e iniciativas do governo têm a inovação como centro: o Ciência Sem Fronteira, de envio de acadêmicos, mestres e doutores brasileiros ao exterior, o novo regime automotivo (2013-2017), que condiciona incentivos tributários à inovação tecnológica, e o Brasil Maior, que amplia as linhas de financiamento para pesquisa.
Desde que assumiu o CGEE, em julho do ano passado, Laplane já recebeu desde técnicos de outros ministérios, como Integração Nacional e Esporte, comitivas de empresários com planos de aproveitar a estrutura de pesquisa das universidades e institutos tecnológicos do país, e até integrantes de outros países, como África do Sul e Argentina. Todos em busca de estratégias para acelerar a inovação tecnológica.
Doutor em economia e em ciências sociais, Laplane é argentino e construiu sua carreira na academia - antes de assumir a liderança do Departamento de Economia da Unicamp (SP), Laplane passou pelas universidades de Buenos Aires (Argentina), Berkeley (EUA) e Jerusalém (Israel). No CGEE, Laplane comanda uma estrutura de 80 pessoas, sendo 43 técnicos. Para ele, as universidades são centrais no processo de inovação, mas a responsabilidade deve ser toda das empresas.
Há um desequilíbrio no Brasil. Temos um braço de ciência e tecnologia muito forte, reconhecido internacionalmente, mas pequena capacidade de transformar esse conhecimento e pesquisa em inovação sobre bens e serviços, que possam ser vendidos com lucro ao empreendedor, e aumentar o bem-estar da população, avalia Laplane, para quem as empresas são o eixo das pesquisas. Ao Estado cabe criar as condições de competitividade e estímulo às empresas.
O presidente da CGEE elogia os esforços do governo na defesa comercial e na tentativa de evitar volatilidade da taxa de câmbio. Mas Laplane entende que é preciso expandir e sofisticar mais rapidamente o parque industrial nacional. Novos espaços para a exportação de manufaturados vão surgir conforme a Ásia migra para um modelo menos intensivo em exportações. Além disso, o mercado doméstico continuará forte. Continuaremos incorporando ao mercado consumidor novas famílias, ao mesmo tempo que aqueles 30 milhões incorporados nos últimos anos vão sofisticar seu consumo, avalia.
Especialista em indústria, Laplane reconhece que há problemas no parque produtivo nacional, mas não vê desindustrialização. Tenho profunda reserva quanto ao termo desindustrialização. O que vivemos hoje é uma fase diferente. Até bem pouco tempo atrás, a indústria estava ampliando fortemente a absorção doméstica (produção somada da importação) de bens de capital, investindo fortemente e contratando mão de obra. Não dá para dizer que estamos nos desindustrializando apenas por que a indústria perdeu fôlego nos últimos trimestres, avalia.
A saída para as dificuldades do setor passam pela inovação - visão compartilhada por Dilma, diz. Seria terrível perder a melhor oportunidade em 30 anos para retomar o caminho da industrialização. A industrialização é o único caminho do desenvolvimento, todos que conhecem história econômica sabem disso. Talvez no futuro exista outro caminho para o desenvolvimento, com a colonização de outros planetas, diz Laplane, que defende as importações. Para inovar, a indústria precisa importar o que não tiver aqui, e assim aprender a produzir no país. Isso é desenvolvimento.
Antes de assumir o CGEE, Laplane lecionou por 20 anos na Unicamp, onde se aproximou de dois economistas importantes para a formação da visão de mundo da presidente da República - Luciano Coutinho, o presidente do BNDES, e Luiz Gonzaga Belluzzo, interlocutor frequente do Palácio do Planalto. Indicado pelo ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, para o cargo em Brasília, Laplane tem ampliado a coordenação entre o MCTI e os demais ministérios.
Nosso trabalho é ajudar o governo federal e as empresas a pensar, formular e avaliar estratégias de desenvolvimento com foco na inovação. Não temos a pretensão de ter todas as respostas, precisamos é mobilizar técnicos do setor público e privado, estamos à disposição para discutirmos programas e métodos de gestão, diz Laplane.
Publicado no jornal Valor Econômico 15 de maio de 2012.
Governo vai estimular produção de máquinas
Objetivo é substituir equipamentos que atualmente são importados pela indústria
Renata Veríssimo
O governo oferecerá estímulos à indústria de bens de capital para produzir no Brasil máquinas e equipamentos que são importados atualmente. A lista dos produtos deve estar fechada em 60 dias. A seleção está sendo feita com base nos pedidos repetitivos dos chamados ex-tarifários, que concedem redução de Imposto de Importação a bens de capital sem produção nacional.
Os incentivos ainda serão definidos, mas já está certa a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como financiador dos projetos.
O coordenador-geral das Indústrias de Bens de Capital do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ronaldo Melo, disse ao Estado que a relação de produtos e os estímulos à produção local serão discutidos no Conselho de Competitividade de Bens de Capital, instalado no mês passado dentro das medidas da segunda fase do Plano Brasil Maior, a política industrial do governo Dilma Rousseff.
Melo não descarta a possibilidade de redução de tributos para estimular a fabricação local. O projeto de desenvolvimento da produção nacional, como é chamado no governo, está sendo costurado em conjunto com entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
O governo tem feito um esforço para reduzir importações em setores considerados chaves para a economia e para a geração de empregos no Brasil. Já foi anunciado, por exemplo, que o setor de autopeças também receberá estímulos para desenvolver a cadeia produtiva brasileira.
Ex-tarifários
Desde o ano passado, o Ministério do Desenvolvimento iniciou um processo de transição nas análises dos pedidos das empresas para redução de Imposto de Importação em máquinas e equipamentos sem similar nacional e ligados a investimentos no Brasil. As mudanças causaram alguns atrasos nas autorizações de ex-tarifários.
Ontem, o ministério voltou a liberar uma lista com mais 46 itens. Melo disse que, na próxima semana, nova relação com 229 tipos de máquinas será apresentada para aprovação da Câmara de Comércio Exterior (Camex). "Há um esforço da Secretaria de Desenvolvimento da Produção de retomar as liberações", afirmou o coordenador. Ele acredita que até o fim deste primeiro semestre as análises dos pedidos estarão em dia, voltando ao mesmo ritmo de 2011.
No primeiro trimestre deste ano foram concedidos 233 ex-tarifários, com importações previstas de US$ 522 milhões. No mesmo período do ano passado, foram 670 liberações e importações de máquinas e equipamentos no valor de US$ 1,34 bilhão.
"Não há mudança na bandeira de estímulo aos investimentos, mas estamos extraindo subsídios para estimular a produção nacional. Estamos fazendo uma análise mais criteriosa com o foco na produção nacional."
Desde outubro de 2011, o BNDES passou a integrar o comitê de análise de ex-tarifários. "É uma contribuição importante, pois o BNDES tem um banco de dados com os equipamentos que têm produção nacional."
Até então, a consulta era feita somente às entidades que representam a indústria de bens de capital e de equipamentos de informática e telecomunicações. Para Melo, a inclusão do BNDES traz mais segurança às concessões de ex-tarifários e evita prejuízos ao fabricante brasileiro.
Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 10 de maio de 2012
Chinesa SAG fará caminhões em Caruaru
Beatriz Bulla
Governo de Pernambuco divulga que o investimento na fábrica será de R$ 1 bilhão
A estatal chinesa Shaanxi Automobile Group (SAG) vai fabricar caminhões da marca Shacman em Pernambuco a partir de 2013, de acordo com anúncio feito ontem pelo governo do Estado. O governador Eduardo Campos visitou uma das fábricas da empresa na China e fechou um investimento de R$ 1 bilhão, segundo o site do governo estadual.
O grupo prevê, inicialmente, a fabricação de 10 mil veículos por ano, com expectativa de dobrar o número até 2017. A SAG produz cerca de 200 mil caminhões e ônibus por ano, que são distribuídos nos cinco continentes.
A fábrica será instalada em Caruaru, em área de 220 hectares já desapropriada, e fará parte de um futuro complexo industrial automotivo para caminhões e ônibus que o governo pretende desenvolver.Os caminhões pesados e extra pesados fabricados serão distribuídos para toda a América do Sul.
"O grande trabalho é para que, em vez de só comprar produtos da China e gerar empregos aqui, agente possa levar empresas chinesas para gerar empregos em Pernambuco", disse o governador em nota publicada no site do governo.
Os chineses receberam incentivo fiscal de 95% sobre o saldo devedor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),de acordo como Programa de Desenvolvimento do Setor Automotivo do Estado de Pernambuco (Prodeauto). A SAG deve receber ainda incentivos municipais da Prefeitura de Caruaru,como isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por dez anos.
"Eles pretendem alcançar mais de 65% de nacionalização e, para isto, devem fabricar também motores, transmissão e eixos para caminhão e ônibus em Pernambuco", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, também em nota.
Publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 10 de maio de 2012
Farmas terão R$ 5 bilhões do BNDES
Pedro Palmeira, do BNDES, acredita que os projetos de inovação das farmacêuticas devem despontar nos próximos anos
Nova etapa do Profarma eleva carteira para estimular projetos de inovação Mônica Scaramuzzo | De São Paulo O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) está reestruturando o Profarma, programa de apoio ao desenvolvimento do complexo industrial da saúde, e vai elevar a carteira para R$ 5 bilhões. Esses recursos estarão disponíveis a partir de julho deste ano até 2016 para financiar projetos de inovação e expansão das indústrias farmacêuticas instaladas no país. Nesse montante estão incluídos futuros negócios envolvendo o braço de participações do BNDES, o BNDESPar.
Criado em 2004, o Profarma já foi reestruturado duas vezes. Essa terceira fase do programa de financiamento terá um perfil voltado para projetos de inovação, com forte apoio do governo federal, que faz suas apostas no desenvolvimento de medicamentos complexos no país.
O Valor apurou que há pelo menos três grandes projetos que vão se beneficiar dos recursos do banco, como as duas superfarmacêuticas nacionais que estão sendo criadas e que podem ter o BNDESPar como sócio. A multinacional suíça Novartis, que planeja erguer uma fábrica de vacina em Pernambuco, negocia financiamento do banco. O BNDES não comenta projetos que ainda não foram formalizados.
Anunciada em abril como o primeiro laboratório nacional que investirá na produção de medicamentos biológicos e biossimilares, a BioNovis, cujos acionistas são as farmacêuticas Aché, EMS, Hypermarcas e União Química, está em discussão de como será o modelo de financiamento da companhia. Os atuais acionistas fizeram aporte de R$ 200 milhões na BioNovis e devem investir até R$ 300 milhões para construir um laboratório e um centro de pesquisa e desenvolvimento, afirmou Odnir Finotti, presidente da companhia. A entrada do BNDES e como o banco participará desse projeto está em discussão.
Ainda em estágio menos avançado, o outro superlaboratório, cujos sócios são as nacionais Eurofarma, Cristália, Biolab e Libbs, também vai recorrer ao banco para colocar seu projeto em andamento.
A multinacional suíça Novartis deverá tirar do papel este ano o projeto de construção de sua fábrica de vacinas no país, em Pernambuco, orçado em US$ 500 milhões. As obras estão na fase de terraplenagem. A unidade deverá ser erguida a partir de setembro, afirmou uma fonte. O BNDES deverá financiar parte desse projeto, que prevê a produção de vacinas para meningite B. Nessa fábrica serão produzidas três proteínas recombinantes, que vão exportadas para a Europa.
A carteira do Profarma até o abril totalizava R$ 3,596 bilhões, dos quais R$ 2,097 bilhões já estavam comprometidos com financiamentos para o setor. Em 2011, pela primeira vez desde que o programa foi criado, os projetos de inovação ultrapassaram os de produção (estímulo de expansão de unidades, por exemplo). No ano passado, os desembolsos para inovação ficaram em 50% do total, enquanto os de produção ficaram em 39%.
Pedro Palmeira, chefe do departamento de produtos intermediários químicos e farmacêuticos do BNDES, acredita que os projetos de inovação tendem a despontar mais nos próximos anos. Segundo ele, as empresas nacionais estão começando a direcionar seus investimentos para biotecnologia. No início do programa, as demandas eram mais voltadas para adequação das fábricas existentes, por exemplo.
As multinacionais farmacêuticas também começaram a encaminhar projetos para serem financiados pelo BNDES, afirmou João Paulo Pieroni, gerente do departamento de produtos intermediários químicos e farmacêuticos do banco. Do total desembolsado pelo banco para o setor, apenas 15% dos recursos vão companhias estrangeiras.
Publicado no jornal Valor Econômico em 10 de maio de 2012
CNI registra aumento do faturamento com queda no uso da capacidade instalada
João Villaverde | De Brasília
A indústria de transformação começa a dar tênues sinais de recuperação. A alta de 0,9% no faturamento real da indústria entre fevereiro e março, com ajuste sazonal, foi recebida pelos técnicos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) como o início da recuperação. Outros indicadores divulgados ontem pela CNI mostraram recuperação em março, como a elevação de 0,4% nas horas trabalhadas na produção e de 0,3% no nível de emprego. Mas especialistas e mesmo os economistas da CNI avaliam que ainda vai demorar para que os fabricantes nacionais aproveitarem integralmente a demanda interna, recentemente estimulada por medidas do governo.
Em março, a utilização da capacidade instalada caiu a 81,5%, ante 82% em fevereiro. O resultado foi ainda mais fraco se comparado aos 83% registrados em março do ano passado, quando a economia e a indústria ainda aproveitavam o forte ritmo da atividade iniciado em 2010. Assistiremos a uma recuperação gradual da indústria, que começou em março, mas não podemos ser muito otimistas quanto ao ritmo. O grande problema é que a demanda interna não está sendo atingida pelo fabricante nacional, mas pelo importado, afirmou Flávio Castelo Branco, economista-chefe da CNI.
Apenas quatro setores, entre os 19 pesquisados pela CNI, apresentaram recuo no faturamento real entre fevereiro e março. Estes quatro setores (refino e álcool, veículos automotores, outros equipamentos de transporte, e metalurgia básica), no entanto, aumentaram no período seu nível de emprego.
Não parece fazer sentido que um setor esteja contratando se seu faturamento está caindo, disse Marcelo D'Ávila, economista da CNI. Mas são setores que começaram a ser mais atingidos pela importação agora, e, por outro lado, contam com base ramificada, então continuam contratando, preparando terreno para a competição mais acirrada.
Os setores que registraram alta no faturamento foram os que reduziram, principalmente, o pessoal ocupado. É o caso dos produtores de couros e calçados, que desde dezembro contam com o estímulo fiscal da folha de pagamentos desonerada (compensada, em parte, por uma contribuição previdenciária sobre o faturamento). O setor reduziu em 3,7% o nível de emprego nas fábricas na comparação entre março deste ano e o mesmo mês do ano passado. As horas trabalhadas nas indústrias do setor caíram 6,6% na mesma comparação - a maior queda entre todos os setores. Por outro lado, o faturamento real aumentou 3,1%.
Já o segmento de equipamentos de transporte viu seu faturamento real despencar 7,8% em março, na comparação com março do ano passado. Mesmo com a queda do faturamento, o setor ampliou em 4,4% seu nível de emprego no período.
Há uma perda geral de qualidade na estrutura produtiva, que vem ampliando o conteúdo importado no bem produzido internamente. A desvalorização do câmbio, positiva no longo prazo, é perigosa no curto prazo. O real desvalorizado por apenas dois meses não altera a estrutura da indústria, apenas encarece os insumos importados, avalia Antônio Corrêa de Lacerda, professor-doutor da PUC-SP e especialista em indústria. Lacerda elogia os estímulos ao crédito, mas entende que boa parte do consumo incentivado pelo governo impulsionará os importados.
A grande preocupação de Lacerda está no setor de bens de capital. Para ele, o faturamento dos fabricantes de máquinas e equipamentos vem crescendo, cada vez mais, devido à incorporação de insumos importados na produção. Os números da CNI para o setor são, segundo Lacerda, simbólicos: o faturamento real ficou 13% maior nos três primeiros meses do ano, na comparação com igual período de 2011, mas o número de horas trabalhadas na produção ficou 1% menor. Como partes e peças chegam prontas do exterior, os operários gastam menos tempo trabalhando, diz Lacerda.
Publicado no jornal Valor Econômico em 10 de maio de 2012
Fornecedores de bens de capital aproveitam fase de aquecimento
As obras potenciais em aeroportos, estradas, hospitais e shoppings produzem um efeito dominó na área de energia, criando mais oportunidades de negócio para fornecedoras do setor, diz Manfred Hattenberger, diretor de desenvolvimento de negócios e estratégias para o segmento de energias renováveis da ABB. As vendas das divisões de energia da empresa subiram e 20% a 25% em 2011. O faturamento total foi de R$ 2 bilhões, 60% provenientes de energia.
Com exceção da nuclear, não há hoje um projeto de energia no Brasil em que não estejamos presentes, seja na linha de frente, com o fornecimento de produtos, ou com serviços, diz Hattenberger. Só em serviços de energia, a ABB faturou R$ 400 milhões em 2011. No segmento de eólicas, faturou R$ 130 milhões, valor que deve crescer de 20% neste ano.
A GE registrou aumentos superiores a 30%, em 2010, e a 40%, em 2011 nas vendas para o mercado energético brasileiro. A empresa opera com todas as áreas desse setor, mas concentrou-se nos últimos dois anos em energia eólica, petróleo e gás e no fornecimento de turbinas a gás e soluções de automação para plantas térmicas.
Esses três segmentos representam hoje 50% a 60% das vendas no país da GE Energy, divisão de energia do grupo. No curto prazo, as plantas térmicas devem ter papel importante na matriz energética para complementar usinas hidrelétricas e eólicas, diz Marcelo Prado, diretor de marketing.
Um dos principais negócios em 2011 foi o fechamento de US$ 800 milhões em novos compromissos para projetos eólicos e de turbinas a gás. Nos próximos dois anos, a GE Energy deve fornecer cerca de 700 turbinas eólicas para o mercado brasileiro.
A Alstom vem fechando negócios importantes, como o que assinou em março com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), para a ampliação de várias subestações, no valor de ? 7 milhões. Segundo Sergio Gomes, vice-presidente do setor de transmissão de energia para a América Latina, a demanda das distribuidoras aumentou por causa da forte pressão da Aneel para diminuir a quantidade e duração das interrupções no fornecimento de eletricidade.
Já Sermatec-Zanini e Dedini, do setor de etanol, se ressentem do mercado retraído. Segundo Antonio Carlos Christiano, presidente da Sermatec, o segmento caminha de forma recessiva desde a crise de 2008. Houve a suspensão de muitos projetos nessa época. Em 2010 e 2011, conseguimos trazê-los de volta e tivemos poucos investimentos novos. O faturamento em 2011 foi de R$ 220 milhões e em 2012 deve atingir R$ 300 milhões.
O ano de 2011 foi bastante difícil, especialmente na área de biomassa. Houve poucos negócios e esperamos que os investimentos comecem a ser retomados no segundo semestre, diz Sergio Leme, diretor presidente da Dedini.
Publicado no jornal Valor Econômico em 26/04/2012
Indústria sinaliza recuperação em março, segundo a CNI
Continuidade da trajetória de alta, contudo, ainda depende de redução dos estoques em relação ao planejamento Depois de amargar seis meses consecutivos de desaceleração, a indústria brasileira respirou.
Segundo índice divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), houve crescimento no desempenho da produção industrial de 54,6 pontos em março ante 46,5 pontos registrados em fevereiro. É a primeira vez desde agosto de 2011 que esse indicador fica acima da linha divisória de 50 pontos.
Se a trajetória se confirmar favorável, poderá significar uma luz no fim do túnel para umsegmento da economia que apresentou desempenho praticamente nulo no ano passado (0,1% de alta), contribuindo para que o Produto Interno Bruto (PIB) fechasse 2011 com crescimento pífio de 2,7% .
Mas não há completo otimismo com o dado de crescimento da produção industrial. Isso porque o índice que mede o nível médio de utilização da capacidade instalada ficou em 72% em março, ante 71% em fevereiro - ainda abaixo, porém, da média usual para o período. O indicador que acompanha a relação da utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual ficou em 45,2 pontos em março ante 42,9 pontos em fevereiro, ambos, portanto, abaixo da marca dos 50 pontos que estabelece a média.
Além disso, conforme aponta a CNI, os estoques continuam acima do previsto pelo 12º mês consecutivo. Os estoques efetivos em relação ao planejado ficaram em 51,6 pontos em março (ante 52,1 pontos em fevereiro).
Nesse caso, marcas acima de 50 pontos representam acúmulo de estoques indesejados.
Para o médio prazo, porém, é possível que a situação se reverta.
"Percebemos que há tendência de continuidade da trajetória de alta para a indústria, ainda que os estoques apontem a possibilidade de essa recuperação ser postergada", pondera Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria. Segundo ele, a avaliação de indicadores antecedentes-como as encomendas de papelão ondulado (usado nas embalagens) e os números de fluxo de caminhões pelas estradas - permitem confirmar a expectativa positiva. "Claro que há fatores limitantes, como as questões estruturais e as baixas possibilidades de recuperação das exportações, mas calculamos um crescimento de cerca de 1% para a indústria", diz.
Para a CNI, contudo, o aumento da atividade no mês passado deve-se a fatores sazonais, como a maior demanda que se registra normalmente neste período.
"Já é de se esperar um aumento da produção em março", aponta o relatório da pesquisa.
O gerente-executivo da Unidade de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, se declarou cauteloso sobre a possibilidade de se manter o aumento da produção.
"Não podemos falar ainda em reversão de tendência. Esperamos que a produção industrial permaneça estabilizada até que os altos estoques, principalmente das grandes indústrias, tenham sido desovados", afirmou.
Oeconomista da CNI Marcelo de Ávila tem diagnóstico semelhante.
"O pior momento parece ter passado. O que não sabemos é a velocidade com que essa recuperação vai se dar".
Embora mais moderados do que em março, os empresários da indústria continuam otimistas sobre as perspectivas para os próximos seis meses. As expectativas deles sobre a demanda atingiram 59,9 pontos (menos 0,5 ponto sobre o mês anterior). A pesquisa Sondagem Industrial foi realizada de 2 a 7 de abril com 1.951 empresas, das quais 712 de pequeno porte, 736 médias e 503 grandes.
Publicado no jornal Brasil Econômico em 26/04/2012
Governo estuda medidas para estimular setor de autopeças
Com o objetivo de aumentar a competitividade e incentivar projetos de inovação no segmento, o Ministério do Desenvolvimento prepara uma série de ações, que deve ser anunciada no segundo semestre deste anoSimone Cavalcanti
O governo identificou que a indústria de autopeças passa por sérios problemas. Sem competitividade o segmento não consegue atender a demanda das montadoras. O governo, então, junto com empresários, decidiu criar um grupo de estudos para sugerir medidas que possam estimular o setor. A ideia é que o plano seja anunciado no segundo semestre deste ano e entre em vigor juntamente com as novas regras para o setor de veículos, em janeiro de 2013.
\"Queremos formar um programa que suplemente e dê a abrangência necessária ao regime automotivo\", disse ao BRASIL ECONÔMICO Paulo Bedran, diretor do Departamento de Indústrias de Equipamentos de Transportes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
No diagnóstico do governo, a cadeia, uma das mais longas da economia, possui elos que estão enfraquecidos, com baixa rentabilidade e sem condições de ampliar seus investimentos na capacidade de produção e de melhora tecnológica. Segundo Bedran, além da questão relativa ao câmbio, que já reduz por si a competitividade de inúmeros setores, os fornecedores de autopeças passam por problemas agudos.
\"A indústria de autopeças é bastante heterogênea, os primeiros níveis têm capital tecnológico, de mão-de-obra, gerencial e só tem problemas porque, para montar em os sistemas, precisam das outras que não vão muito bem\", afirmou. \"Eles estão comprimidos, pois tem um custo apertado e não tem como repassar. E isso faz com que a rentabilidade seja baixa e cada vez menor o espaço para os investimentos\".
Velocidade lenta
De acordo com dados fornecidos pelo diretor, nos últimos seis anos, a velocidade dos investimentos da cadeia ficou muito aquém da fabricação de automóveis à exceção de 2008. Para citar apenas dois exemplos: em 2009 - ano da crise internacional - foram produzidos 3,182 milhões de veículos, mas as inversões das autopeças chegaram a um vale de US$ 631 milhões. No ano seguinte, houve melhora, mas mesmo assim, o volume subiu para US$ 1,492 bilhão praticamente voltando ao mesmo nível de 2005.
\"Se não fosse o câmbio e os custos, não seria lógico nem inteligente importar do jeito que está importando autopeças\", ressaltou Bedran. Não por acaso, o setor de autopeças foi incluído na desoneração da folha de pagamentos anunciada na segunda fase do Plano Brasil Maior (PBM). Com isso, a cadeia, intensiva em mão de obra passa a pagar 1% de tributo sobre seu faturamento e fica isenta de recolher a contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Montadoras
As montadoras também terão de se dedicar e transferir recursos em prol do desenvolvimento tecnológico de seus fornecedores, paralelamente ao novo programa que está sendo elaborado. Pelas regras que entram em vigor no início do ano que vem, para obter o desconto maior do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além dos 30 pontos percentuais pelo conteúdo nacional, as fabricantes devem destinar um percentual para o aprimoramento dos produtores de autopeças. Em breve, o Ministério do Desenvolvimento deve publicar uma portaria especificando qual o montante do dispêndio e em quê deve ser aplicado.
Um olhar sobre o setor
Atualmente os investimentos da indústria de autopeças não têm acompanhado o aumento da produção das montadoras. A cadeia de fornecedores precisa oferecer peças e sistemas compatíveis com a exigência de melhora de tecnologia que o novo regime automotivo exige das montadoras. É preciso melhorar os programas de gestão das empresas que estejam em elos mais distantes das fabricantes de veículos.
Publicado no jornal Brasil Econômico em 19/04/2012.
Automóveis terão metas de eficiência energética
BRASÍLIA - Um dos principais pontos do novo regime automotivo, para o período de 2013 a 2017, ainda não saiu do forno: técnicos do governo preparam uma tabela com metas de eficiência energética para os veículos fabricados no País, a exemplo do que as montadoras já precisam cumprir em outros países.
Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o objetivo da equipe de Dilma Rousseff é exigir um consumo cada vez menor de combustível por quilômetro e, consequentemente, reduzir emissões de gases de efeito estufa.
O governo também espera, com a medida, usar a eficiência no consumo de combustíveis como catalisador de uma nova geração de motores capaz de competir no mercado externo. O assunto envolve discussões técnicas dos ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia e será apresentado a representantes da indústria automotiva nas próximas semanas.
Na semana passada, o governo lançou a pedra fundamental do novo regime automotivo, chamado de Inovar-Auto. Para escapar do aumento de 30 pontos porcentuais do IPI, implantado em 2011, as montadoras precisam comprar autopeças nacionais. Quanto maior o valor gasto com os equipamentos produzidos no País, maior será o desconto no IPI. A novidade é que as metas de eficiência energética pretendem estimular as montadoras a investir no desenvolvimento de uma geração \"brasileira\" de motores.
Etiquetagem
Até 2017, todo veículo fabricado no País precisará ter uma etiqueta do Ibama e do Inmetro mostrando o consumo por quilômetro e o volume de emissões, conforme previsão do Inovar-Auto. O consumidor será usado como parceiro: ao comparar o gasto de combustível por quilômetro, o brasileiro tenderia a optar por carros mais eficientes, estimulando inovações na cadeia, ao mesmo tempo em que o governo estipula padrões mínimos de desempenho.
Segundo fontes, o governo espera fechar um círculo com a tabela de eficiência energética. As montadoras precisam cumprir metas de quilômetro por litro de combustível, o que exige motores mais avançados, os quais precisam conter peças nacionais para evitar os 30 pontos porcentuais a mais de IPI.
Se investirem na pesquisa e desenvolvimento desses motores no Brasil, as montadoras poderão receber 2 pontos porcentuais de desconto adicional no IPI. O mesmo raciocínio vale para autopeças, uma vez que itens como freios ABS e airbags não são produzidos no País.
A equipe de Dilma avalia que o mercado interno, quarto maior consumidor de automóveis do mundo, deve ser usado para pressionar as montadoras instaladas no País. Na avaliação do governo, os carros saídos das fábricas nacionais são 40% menos eficientes do que os similares fabricados fora.
Dessa forma, torce o governo, os automóveis \"made in Brazil\" seriam melhores para o consumidor, que sempre priorizou o preço acima da qualidade, além de se tornar um ativo para ser exportado e competir com fabricantes asiáticos. Estudos feitos ainda no governo Lula indicam que a forma mais simples para aumentar a qualidade dos carros e elevar os investimentos seria exigir maior eficiência energética.
Publicado na Agência Estado em 13/04/2012
Empreendedor individual ganha espaço no mercado formal e \"lota\" o Sebrae
Por André Borges | De BrasíliaO impacto causado pelo aumento expressivo da formalização de empreendedores individuais, aliado ao crescimento no volume de pequenas e médias empresas, impôs ao Sebrae profunda reestruturação interna para atender uma nova demanda.
Em menos de dois anos, a Lei do Empreendedor Individual já levou nada menos que 2,2 milhões de pessoas para o mercado formal. São profissionais como manicures, pedreiros, pintores e costureiras que, apesar do espírito empreendedor, necessitam de todo tipo de informação, desde caminhos para melhorar seu negócio, até informações mais técnicas a respeito de impostos, leis etc.
Para o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, isso é só o começo. A instituição tem registrado em média 4.500 formalizações por dia. Até 2014, a estimativa é chegar a 4 milhões de formalizações. \"São clientes que a gente não tinha. Por isso temos feito pesquisas para ter um retrato preciso desse público e de suas necessidades\", diz.
O meio eletrônico passou a ser uma ferramenta crucial na disseminação dos cursos do Sebrae. No ano passado, a instituição realizou 1,4 milhão de atendimentos a empresas. Desse total, mais de 30% foram feitos por meio da internet. Com a popularização da rede de computadores, a tendência é que esse volume aumente. Para este ano, o Sebrae projeta crescimento de 20% na taxa geral de atendimento ao empreendedor.
O celular é outro instrumento que tem vocação para se tornar um instrumento de apoio à instituição. O Sebrae conclui um piloto com 20 mil empreendedores individuais que tiveram acesso, por telefone, a conteúdos com cursos de noções de venda, gestão empresarial, agenda de impostos, entre outros.
\"Foi um sucesso. Estamos aprimorando essa ferramenta para que ela seja massificada\", diz Barretto, acrescentando que o meio eletrônico, no entanto, não resolve tudo. \"Ele não funciona, por exemplo, para o empreendedor individual, que ainda não está dentro do mundo digital. Por isso, é muito importante o trabalho do consultor in loco, prestando serviço.\"
O Sebrae tem hoje 5.000 funcionários em todo o país. Além disso, conta com o apoio de 8.000 consultores, que são colaboradores eventuais.
Os desafios dessa nova realidade empresarial do Brasil serão debatidos nesta semana, durante o Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, realizado pelo Sebrae. O evento, que acontece entre os dias 18 e 20 de abril no hotel Grand Hyatt, em São Paulo, terá entre os palestrantes o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman e o ex-ministro Delfim Netto. O seminário contará com a presença de cerca de 300 convidados, entre representantes do poder público, acadêmicos, empresários, instituições de apoio aos pequenos negócios e convidados da instituição.
Nos três dias do evento, serão realizadas cinco mesas temáticas. A proposta é fazer um diagnóstico dos pequenos negócios no atual cenário mundial e das oportunidades de mercado criadas com o aumento da classe média. As discussões também devem passar por temas como ambiente legal, sustentabilidade e inovação. \"Os debates vão ajudar a consolidar o direcionamento estratégico que norteará as ações do Sebrae nos próximos dez anos\", diz Barretto.
O Brasil tem 6,2 milhões de micro e pequenas empresas. Na categoria das microempresas, estão aquelas com receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360 mil. Entre as pequenas se enquadram aquelas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões por ano. Na categoria do empreendedor individual, estão aqueles que têm até um funcionário - além do empresário - e receita bruta anual de até R$ 60 mil.
A saúde das micro e pequenas empresas ditam os rumos da economia do país. Hoje, elas representam 99% de todas as empresas brasileiras e respondem por 52% de todos os empregos formais.
Com a melhora do cenário econômico do país e a abertura de caminhos para atrair a formalização do empreendedor, a vocação para investir no próprio negócio tem encorajado mais pessoas. De acordo com pesquisa encomendada pelo Sebrae, em 2002 apenas 6% das pessoas que resolveram abrir um negócio próprio o fizeram por senso de \"oportunidade\". Em 2010, essa visão saltou para 12%. No mesmo período, as iniciativas motivadas por senso de \"necessidade\" caíram de 7% para 5% dos entrevistados.
Por trás desse movimento está a mudança na pirâmide de classes da população ao longo dos anos. Cerca de 40 milhões de pessoas entraram na classe C entre 2004 e 2011. Outros 12,5 milhões devem migrar para a classe média entre 2012 e 2014, segundo o economista Marcelo Neri, PhD em economia pela Universidade de Princeton e chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV). Neri é um dos palestrantes do seminário do Sebrae, que também contará com a presença de Renato Meirelles, do Data Popular, e Romero Rodrigues, do BuscaPé.
Publicado no jornal Valor Econômico em 16/04/2012
iPad 2 já está sendo fabricado no Brasil
Tablet começou a ser produzido pela Foxconn no início deste mês, mas só o modelo de 16GBLino Rodrigues
SÃO PAULO. A fábrica da Foxconn em Jundiaí, a 60 quilômetros da capital paulista, já está produzindo os primeiros iPads \"made in Brazil\" da Apple. Os aparelhos, ainda da segunda versão e com 16GB, começaram a ser montados no início deste mês, depois que a empresa contratou, em março, cerca de 1.100 trabalhadores, que passaram por um período de treinamento. A linha de montagem ocupa um dos prédios da Foxconn 2, onde também são produzidos os iPhones 4 brasileiros.
O início da produção dos iPads da Apple coincide com a publicação do Decreto 7.715, de 3 de abril, que regulamentou a inclusão dos tablets na Lei de Informática, última etapa para que os fabricantes possam vender os equipamentos com os benefícios da chamada Lei do Bem. Fontes próximas à direção da Foxconn em Jundiaí informaram que a empresa já está se preparando para começar a vender o iPad 2 de 16GB no mercado brasileiro. O preço, dizem as fontes, seria inferior ao oferecido no site oficial da Apple (R$ 1.399). Os outros modelos mais caros, com 32GB e 64GB, não terão mais produção local, uma vez que o iPad 3 já foi lançado no mercado internacional em março. A terceira versão do tablet da Apple, no entanto, ainda não tem previsão para ser fabricada em Jundiaí.
Em janeiro, a Foxconn já havia recebido do governo brasileiro o sinal verde para produzir os iPads com incentivos fiscais na unidade de Jundiaí. A medida, publicada no Diário Oficial da União do dia 25 de janeiro e com as assinaturas dos ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Desenvolvimento, fernando pimentel; e do ex-ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante, autorizava a empresa a fabricar \"microcomputador portátil, sem teclado, com tela sensível ao toque (touch screen), de peso inferior a 750g (Tablet PC)\".
A fabricação de iPads e iPhones no Brasil faz parte de um pacote de investimento que poderia somar US$ 12 bilhões no país, anunciado com alarde pelo governo brasileiro em abril do ano passado. Procurada, a Foxconn não quis se pronunciar sobre o início da produção dos iPads.
Publicado no jornal O Globo em 12/04/2012
Brasil discute caso Odebrecht nos EUA
Por Alex Ribeiro | De BostonA delegação brasileira em visita aos Estados Unidos discutiu com o governo americano a lei da Flórida que pode prejudicar negócios da Odebrecht, nas conversas paralelas ao encontro da presidente Dilma Rousseff com o líder dos Estados Unidos, Barack Obama, ocorrido anteontem em Washington.
\"A preocupação é grande porque a Odebrecht tem contratos importantes nos Estados Unidos e em Cuba\", disse o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que integrou a comitiva presidencial que visitou ontem universidades na região de Boston, no segundo e último dia da visita oficial de Dilma aos país.
Pimentel disse que expressou a preocupação brasileira com o tema em conversa com a sua contraparte no governo americano, o secretário de comércio, John Bryson.
Conforme reportagem publicada pelo Valor ontem, o parlamento local da Flórida aprovou uma lei que impede empresas com investimentos em Cuba de realizar negócios com governos locais no Estado. A medida, que foi patrocinada por deputados e senadores estaduais da bancada anticastrista, depende de sanção do governador da Flórida, Rick Scott, para entrar em vigor. \"Ainda não é lei\", ressaltou Pimentel. \"Temos uma margem de possibilidades de que o governador da Flórida não sancione\". Se sancionada, a medida entra em vigor em julho.
A Odebrecht seria uma das principais prejudicadas pela legislação, já que no Estado se concentra 80% do negócio de construção da empresa nos Estados Unidos. Na Flórida, os investimentos em execução somam quase US$ 2 bilhões, e ainda há pelo menos outros US$ 1,5 bilhão sendo disputados pelo grupo.
Paralelamente aos contratos nos Estados Unidos, a Odebrecht tem importantes negócios em Cuba. Executa, por exemplo, obras no Porto de Mariel - com investimentos de quase US$ 1 bilhão. Além disso, tem intenção de produzir açúcar na ilha.
Scott teme que a medida afaste investimentos na Flórida, uma das regiões mais afetadas pela crise americana. Ele liderou no ano passado uma comitiva de empresários ao Brasil, que é o principal parceiro comercial do Estado e vem aumentando seus investimentos diretos na região. Mas sua tendência seria, ainda assim, de sancionar a lei, cedendo às pressões dos exilados cubanos, que compõem parcela importante do eleitorado do Estado da Flórida.
\"Se a lei for sancionada, a expectativa nossa é de que o governo federal dos Estados Unidos tome providências, porque a lei é inconstitucional\", afirmou Pimentel. Especialistas nas leis americana têm sustentado que a lei não é válida porque Estados não podem legislar sobre assuntos de política externa. Eles esperam que, caso seja sancionada pelo governador, ela seja questionada na Suprema Corte.
Publicado no jornal Valor Econômico em 11/04/2012
Dilma cobra que EUA honrem contratos
Presidente se queixa com Barack Obama da decisão da Defesa americana de romper acordo para compra de aviões da EmbraerVERA ROSA, ENVIADA ESPECIAL / WASHINGTON - O Estado de S.Paulo
Com o argumento de que os Estados Unidos sempre cobraram do Brasil \"respeito a contratos\", a presidente Dilma Rousseff disse ao colega norte-americano Barack Obama, na segunda-feira, que a situação se inverteu. \"Como podemos fazer acordo na área de Defesa se o Congresso americano não respeita contratos?\", perguntou a Obama, na Casa Branca, segundo relato da conversa obtido pelo Estado.
Dilma se referia a uma escalada de problemas que preocuparam o Brasil. O mais recente ocorreu em fevereiro, quando a Defesa dos EUA anulou a concorrência para compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer (Veja box). No auge da briga jurídica com a empresa Hawker Beechcraft, congressistas do Kansas ameaçaram até entrar com pedido de investigação internacional para apurar subsídio do Brasil à Embraer.
A justificativa para o cancelamento da licitação foi de erros na documentação, mas o Brasil viu no episódio mais um exemplo de pressão política. Em 2006, o Senado dos EUA já havia proibido a venda de aviões Super Tucano à Venezuela por causa dos componentes americanos na aeronave.
A Boeing agora quer fornecer 36 caças F-18 para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira, mas deve ser preterida. A empresa americana instalou escritório em São Paulo, como sinal de interesse em parcerias com empresas brasileiras. Não há, porém, aprovação do Senado dos EUA à venda nem certeza de cumprimento da promessa de transferência de tecnologia ao Brasil. O País está inclinado a comprar caças Rafale, da francesa Dassault.
Obama disse a Dilma que a questão com a Embraer será resolvida. Mesmo assim, na conversa reservada com executivos americanos (CEOs), também na Casa Branca, Dilma bateu novamente na tecla sem rodeios. Quis saber como os EUA puderam romper o que seria o primeiro contrato com a Embraer, num valor tão pequeno.
Dilma destacou que o País é a sexta economia do mundo, o sétimo maior superávit comercial dos Estados Unidos e o terceiro maior comprador de títulos americanos, depois da China e do Reino Unido. \"Somos um país que cumpre contratos e queremos que os contratos sejam cumpridos.\"
Apesar da cobrança da presidente, o ministro Fernando Pimentel (Indústria e Comércio Exterior) não esticou a polêmica. \"É uma questão pontual, que será resolvida. Comércio é assim: passo a passo\", amenizou. \"Não há problemas maiores e não existe restrição (à Embraer). A empresa tem uma instalação que funciona na Flórida e está estudando outros negócios aqui.\"
Irã. Os temas Irã e Síria também foram abordados na conversa de Dilma com Obama. \"Não podemos deixar a questão do Irã se transformar num incêndio\", disse ela, de acordo com relatos de participantes do encontro.
A presidente manifestou preocupação com a tensão no Oriente Médio e no norte da África. Apesar da pressão de Washington, Dilma ponderou a Obama que ações militares e sanções econômicas ao Irã \"são extremamente perigosas\". Repetiu o mesmo argumento em jantar na Embaixada do Brasil, com a presença de políticos, empresários e acadêmicos. Diante das ex-secretárias de Estado Condoleezza Rice e Madeleine Albright, disse que o Irã tem o direito de desenvolver programa nuclear pacífico.
Afirmou que o Brasil apoia a ação de Kofi Annan, enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, e repudia a violência contra a população. / COLABOROU DENISE CHRISPIM MARIN
Publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 11/04/2012
Dilma quer barrar a crise com empregos
Rosana HesselEnviada especial
Boston e Cambridge — A presidente Dilma Rousseff, em seu terceiro dia de visita aos Estados Unidos, cobrou a retomada dos investimentos produtivos como antídoto para barrar a crise econômica mundial e ampliar a oferta de empregos no mundo. Na avaliação da líder brasileira, não há outro caminho para a economia global recuperar o fôlego e superar os estragos provocados pelo tsunami monetário que tem incentivado a valorização das moedas de países emergentes, especialmente o real. \"Nós sabemos que somos afetados pela crise financeira do mundo. Mas temos condições de enfrentá-la. Vivemos um momento de muita preocupação\", afirmou ela em discurso para 700 acadêmicos e estudantes do John F. Kennedy Forum, da Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas no planeta.
A governante brasileira aproveitou a plateia e repetiu a crítica ao que ela chama de tsunami monetário provocado pelas economias desenvolvidas — uma injeção de mais de US$ 9 trilhões na economia global. \"As ações dos bancos centrais melhoraram muito a situação (das economias dos países ricos, que começam a sair da recessão). Mas nós sabemos que ainda persistem várias ameaças\", afirmou Dilma, reconhecendo que as medidas de estímulos à atividade evitaram uma crise aguda de liquidez. Alertou, porém, que as políticas expansionistas (emissões de moedas) sem a contrapartida de investimentos afetam, sobretudo, os países emergentes.
Ex-presa política e a primeira chefe do Executivo brasileiro — destacada como social-democrata pela presidente de Harvard, Drew Faust, primeira mulher a comandar a instituição fundada há 375 anos —, Dilma também procurou enfatizar que a democracia ajudou o Brasil a conquistar a posição atual no mundo. \"O país hoje tem um grande mérito, é uma grande democracia. É muito melhor as muitas vozes contrárias do que o silêncio das ditaduras\", frisou. Durante as perguntas feitas por alunos da instituição, ela comentou que a geração dela sonhava em ser bailarina ou bombeira e nunca presidente da República. \"Hoje, vocês podem ser presidentes até de Harvard\", disse, em tom mais descontraído.
Nesse contexto, a presidente ressaltou a importância dos Estados Unidos num mundo \"multipolar\". Lembrou que o país é uma economia flexível, sempre capaz de liderar as crises. \"Acredito que temos uma especial relação (com os EUA) porque somos democracias jovens, multilaterais e com várias características culturais e comportamentais semelhantes. Tenho certeza de que essa parceria com os EUA para o século 21 nos interessa.\"
Para Dilma, num quadro de cooperação bilateral, a educação é fundamental, assim como a estratégia de investir em inovação. \"Temos que dar importância a patentes. E o Brasil precisa ampliar a oportunidade de acesso aos mercados e melhorar a qualidade da educação desde a creche\", afirmou. Em relação às bolsas de estudo prometidas pelo governo, os imigrantes brasileiros nos EUA ficaram frustrados quando ela falou que eles não serão contemplados com os programas.
Encontro esvaziado
A agenda internacional de Dilma esta semana está agitada. Nos dias 14 e 15, ela participa, em Cartagena, na Colômbia, da Cúpula das Américas onde a ausência de Cuba será um dos temas de discussão. Ela cobrou dos Estados Unidos uma mudança no posicionamento relativo ao país comandado por Raúl Castro, especialmente no veto à participação do país caribenho na cúpula. Dilma chegou a afirmar que o encontro do próximo fim de semana será o último sem a presença da ilha. \"Essa é uma decisão unânime\", avisou.
O tema foi recorrente durante o jantar que a presidente teve com pensadores norte-americanos na casa do embaixador do Brasil em Washington, na noite de segunda-feira. \"Ela conversou sobre vários assuntos e voltou a falar de Cuba. E a conversa foi de altíssimo nível. Acho que foi o ápice da visita de Dilma\", contou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Entre os debatedores estavam Thomas Friedman, Condoleezza Rice e Madeleine Albright.
Restrições a empresas
As preocupações com as empresas brasileiras nos Estados Unidos também demandaram atenção imediata de Dilma, expressas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Segundo ele, a presidente está receosa com a aprovação, no Parlamento da Flórida, de um projeto que proíbe empresas com investimentos em Cuba de fazerem negócios no estado. \"A preocupação é grande porque várias firmas brasileiras têm contratos importantes nos Estados Unidos e em Cuba\", afirmou. A lei ainda não foi sancionada. Dilma veio a Boston acompanhada de sete ministros. O avião presidencial voltou para o Brasil logo após a palestra de Dilma na Universidade Harvard.
Temer sanciona duas leis
O vice-presidente Michel Temer, em exercício por conta da viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, sancionou ontem duas leis que foram publicadas no Diário Oficial da União de hoje. Uma delas foi a MP 547, aprovada pelo Senado no mês passado, que institui o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil. Uma das medidas previstas no plano trata da transferência de bens apreendidos no crime para órgãos da defesa civil em caso de desastres naturais. A outra foi a lei que nomeia a Ponte Hélio Serejo, no Rio Paraná, na divida entre os estados de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.
Publicado no jornal Correio Braziliense em 11/04/2012
Novo regime automotivo visa ampliar competitividade industrial, diz MDIC
Secretária acredita que medidas podem refletir em custo final a consumidor.
Gabriela Gasparin Do G1, em São Paulo
A secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloisa Menezes, disse nesta terça-feira (10) que o novo regime automotivo anunciado na semana passada pelo governo federal foi desenvolvido com o objetivo de aumentar a competitividade da cadeia automotiva no país, com o fim de ampliar investimentos em pesquisa e inovação no Brasil.
Para ela, as medidas podem, inclusive, serem refletidas ao custo final dos produtos aos consumidores. “Nós sabemos que a indústria de autopeças precisa de atrativos para investir mais e mais para substituirmos a importação na nossa cadeia de produtos, para ser cada vez mais inovadora”, afirmou.
De acordo com ela, as medidas de estímulos à produção automotiva podem ser transferidas ao custo final do produto, ao consumidor, por conta da desoneração do IPI. “De fato, estamos falando da possibilidade de redução de até 32 pontos percentuais de IPI (...). Há possibilidade que haja esse efeito indireto”, disse.
Heloisa afirmou que o regime foi feito em esforço conjuntos entre ministérios da Fazenda, Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia, com objetivos de “aumentar a competitividade da cadeia automotiva no Brasil, aumentar investimentos inovação, em pesquisa no Brasil, focadas nos fornecedores da cadeia de autopeças com rebatimento claro na indústria automotiva”, disse.
Heloisa explicou que o novo regime traz flexibilidade para a habilitação de cada uma das montadoras, de forma a ajustarem sua melhor estratégia.
“Para a habilitação, ele [o novo regime] requer que a empresa escolha três de quatro itens, que são atividade fabril no Brasil, etiquetagem do Inmetro, investimento em engenharia e tecnologia industrial básica e investimento em inovação. As empresas, escolhendo três dessas quatro condições, têm condições de, após habilitar, reduzir em até 30 pontos percentuais o seu IPI, desde que invista em compra insumos estratégicos no Brasil e na região do Mercosul”, disse a uma plateia de empresários do setor, na abertura da 3ª Automec, feira focada no setor de veículos pesados e comerciais, que ocorre no Anhembi, em São Paulo.
A secretária acrescentou, ainda, que a empresa poderá reduzir o IPI em mais dois pontos percentuais, desde que invista em inovação, engenharia, tecnologia industrial básica e desenvolvimento de fornecedores. “É regime de estimulo, que dá liberdade para as empresa se enquadrarem de maneira mais ou menos vantajosa de acordo com o investimento que ela fará”, afirmou.
Do G1
Indústria sinaliza recuperação em março, segundo a CNI Brasil Econômico/BR
26 de abril de 2012
Continuidade da trajetória de alta, contudo, ainda depende de redução dos estoques em relação ao planejamento Depois de amargar seis meses consecutivos de desaceleração, a indústria brasileira respirou.
Segundo índice divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), houve crescimento no desempenho da produção industrial de 54,6 pontos em março ante 46,5 pontos registrados em fevereiro. É a primeira vez desde agosto de 2011 que esse indicador fica acima da linha divisória de 50 pontos.
Se a trajetória se confirmar favorável, poderá significar uma luz no fim do túnel para umsegmento da economia que apresentou desempenho praticamente nulo no ano passado (0,1% de alta), contribuindo para que o Produto Interno Bruto (PIB) fechasse 2011 com crescimento pífio de 2,7% .
Mas não há completo otimismo com o dado de crescimento da produção industrial. Isso porque o índice que mede o nível médio de utilização da capacidade instalada ficou em 72% em março, ante 71% em fevereiro - ainda abaixo, porém, da média usual para o período. O indicador que acompanha a relação da utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual ficou em 45,2 pontos em março ante 42,9 pontos em fevereiro, ambos, portanto, abaixo da marca dos 50 pontos que estabelece a média.
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Indicadores antecedentes apontam para manutenção da recuperação na atividade industrial
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Além disso, conforme aponta a CNI, os estoques continuam acima do previsto pelo 12º mês consecutivo. Os estoques efetivos em relação ao planejado ficaram em 51,6 pontos em março (ante 52,1 pontos em fevereiro).
Nesse caso, marcas acima de 50 pontos representam acúmulo de estoques indesejados.
Para o médio prazo, porém, é possível que a situação se reverta.
"Percebemos que há tendência de continuidade da trajetória de alta para a indústria, ainda que os estoques apontem a possibilidade de essa recuperação ser postergada", pondera Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria. Segundo ele, a avaliação de indicadores antecedentes-como as encomendas de papelão ondulado (usado nas embalagens) e os números de fluxo de caminhões pelas estradas - permitem confirmar a expectativa positiva. "Claro que há fatores limitantes, como as questões estruturais e as baixas possibilidades de recuperação das exportações, mas calculamos um crescimento de cerca de 1% para a indústria", diz.
Para a CNI, contudo, o aumento da atividade no mês passado deve-se a fatores sazonais, como a maior demanda que se registra normalmente neste período.
"Já é de se esperar um aumento da produção em março", aponta o relatório da pesquisa.
O gerente-executivo da Unidade de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, se declarou cauteloso sobre a possibilidade de se manter o aumento da produção.
"Não podemos falar ainda em reversão de tendência. Esperamos que a produção industrial permaneça estabilizada até que os altos estoques, principalmente das grandes indústrias, tenham sido desovados", afirmou.
Oeconomista da CNI Marcelo de Ávila tem diagnóstico semelhante.
"O pior momento parece ter passado. O que não sabemos é a velocidade com que essa recuperação vai se dar".
Embora mais moderados do que em março, os empresários da indústria continuam otimistas sobre as perspectivas para os próximos seis meses. As expectativas deles sobre a demanda atingiram 59,9 pontos (menos 0,5 ponto sobre o mês anterior). A pesquisa Sondagem Industrial foi realizada de 2 a 7 de abril com 1.951 empresas, das quais 712 de pequeno porte, 736 médias e 503 grandes.
Redação, com agências
desaparece.
Embora os ministros não tenham mencionado as barreiras às exportações, o tema foi tratado nos bastidores. Mas o Brasil não acenou com a liberação de itens perecíveis do país vizinho. Timerman defendeu a ampliação da lista de produtos cujas tarifas de importação subirão em até 35%, para que o Mercosul se defenda da invasão de importados de terceiros mercados, como a China. Discute-se uma relação de cem itens para cada país. A decisão ocorrerá no fim de junho.
Publicado no jornal O Globo em 16 de maio de 2012.
ThyssenKrupp decide colocar à venda a CSA, empresa em que a Vale é sócia
GLAUBER GONÇALVES / RIO - O Estado de S.Paulo
A ThyssenKrupp admitiu ontem que estuda vender a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), empreendimento no qual tem como sócia a Vale, a um mês de a usina completar dois anos de operação. O anúncio foi feito após meses de especulação no mercado sobre um possível plano da empresa alemã para se desfazer da planta instalada em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, que sugou € 5,2 bilhões em investimentos e foi inaugurada em 2010 depois de sucessivos adiamentos.
Em um comunicado divulgado na Alemanha, a empresa diz que vai examinar opções estratégicas "em todas as direções" para a unidade Steel Americas, que, além da CSA, inclui uma planta de laminação em Mobile, no Estado norte-americano do Alabama. No ano fiscal 2010-2011, todas as frentes de atuação da Thyssen tiveram resultado operacional positivo, exceto a Steel Americas. Outra possibilidade em análise é a busca de um sócio para o negócio.
A companhia justifica que, desde a concepção do projeto, os custos de produção aumentaram "de forma desproporcional" no País. Contribuíram para a formação desse cenário, de acordo com a empresa, o aumento de custos trabalhistas, efeitos da inflação e, em particular, a apreciação do real.
O plano da CSA era produzir placas de aço de forma competitiva no Rio e mandá-las para laminação no Alabama. De lá, abasteceria clientes da indústria norte-americana.
Com a economia dos Estados Unidos andado de lado desde a crise de 2008, porém, o mercado por lá tem se mostrado desfavorável à Thyssen. Agora, a empresa reconhece o fracasso da estratégia e revela que só está conseguindo vender aço a um preço "diferenciado" para o setor automotivo.
Para o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, a situação da ThyssenKrupp é reflexo de um repique da elevação do excedente de aço no mundo. "Após a crise de 2008, esperava-se o retorno à normalidade a partir de 2012, mas Europa e EUA, dois grandes mercados consumidores, estão adiando o retorno às condições normais de temperatura e pressão", avalia. Citando dados da Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês), Lopes afirma que o volume excedente, que estava em 420 milhões de toneladas, passou a 530 milhões de toneladas.
Diante dessa conjuntura, encontrar um comprador ou sócio para a operação deve se mostrar uma tarefa complicada para os alemães, avaliam especialistas. "Vai ser difícil vender nesse cenário. Eles podem achar um sócio, mas não vão achar comprador", afirma o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.
Ele não vê interesse de grupos brasileiros, como Gerdau, CSN e Usiminas, e acredita que faria mais sentido encontrar uma siderúrgica no exterior que tenha interesse em garantir o abastecimento de placas de aço para laminação.
Alternativas. Na Alemanha, o presidente da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, disse que vai oferecer a planta à Vale e que conversará com possíveis compradores na Ásia. Ele avaliou o valor das duas usinas (no Rio e no Alabama) em € 7 bilhões, montante bem inferior aos cerca de € 12 bilhões investidos nas plantas.
O executivo afirmou ainda que as plantas devem ser negociadas separadamente, pois não acredita que haja um interessado na operação conjunta das unidades.
Um novo aumento de participação da Vale, no entanto, é visto como pouco provável. No desenrolar da crise de 2008, a mineradora se viu obrigada a elevar sua fatia no empreendimento para 26,87% sob risco de não vê-lo sair do papel, num momento em que o governo Lula a pressionava para não abandonar investimentos em siderurgia.
A ThyssenKrupp detém os demais 73,13%. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 16 de maio de 2012.

